Praia de Koumbara, Ios

Ios | Praia de Koumbara, o primeiro pôr do sol

Não fora em Naxos o meu primeiro pôr do sol desta viagem. E que tão grande força energizante têm estes pores do sol do mar Egeu. Não os procurei. Vivenciei outras coisas. Este primeiro foi-me dado no meu primeiro dia na ilha de Ios, na praia de Koumbara, na minha segunda paragem insular.

Praia de Koumbara, Ios

Saí de Naxos num barco da Golden Star Ferries ao meio-dia e em uma hora arredondada cheguei ao pequeno porto da pequena ilha de Homero. O meu hotel, o Kritikakis Village Hotel, ficava a 10 minutos andados. Talvez um pouco mais, dada a envergadura da minha mala de costas, e o calor. Fica na rua principal, aquela que sai do porto e segue para cima, para Chora, o centro histórico e a vila mais antiga da ilha. Cada ilha, sua Chora, cada Chora, seu centro histórico. Escolhi-o por ficar numa zona de fácil acesso a transportes públicos, perto do porto e na linha dos autocarros da KTEL, que seguiam para toda a ilha e faziam ligação com outros destinos em Chora.

A subida até ao topo da ilha

Mesmo ao lado do hotel, uma enorme escadaria, pastel, de largura mais considerável do que as que as que as ilhas gregas nos vão habituando. E muitas dezenas de escadas. Façam esta escadaria, contem os degraus. Façam-no de dia. Façam-no de noite. E não se esqueçam. Nas várias paragens que fizeram pelo cansaço, olhem para trás, quer subam, quer desçam. Os caminhos são diferentes e assim também o alcance dos vossos olhos.

Escolhi-o por mais razões. Para testar, pela primeira vez, um hotel sem um ambiente de alojamento familiar, ainda que arquitetonicamente um alojamento grego. Seria o único nestes moldes durante esta viagem. E conto que permaneça como único em todas as que se seguirem à Grécia. Alojamentos há muitos, para todos os valores e prioridades. Mas nenhum que vos dê o sentido de pertença, de localidade, de comunidade como um de ambiente familiar. A experiência da cultura grega tem uma personalidade muito forte e valorosa, e ficar num alojamento familiar é um ponto fundamental.

Uma razão mais.

A ilha de Ios é sobejamente afamada pelos seus verões de festa rija e desenfreada, carnavalesca, até. Aqui aportam estudantes universitários de todo o mundo, sobretudo, britânicos, para dar ao corpo os prazeres que a mente lhes roubara no ano de estudo que acabara. Muita festa e muito álcool em Chora, aonde a maioria fica alojada. E assim é todo o verão. A este tema que acabou por encerrar mais uma história divertida dedicarei um outro post.

Há muitas estradas possíveis

Haveria uma outra razão, embora para mim inconsciente. O hotel era vizinho do Centro de Saúde aonde eu viria a permanecer um par de horas no meu segundo dia para o terceiro.
A receção é muito simpática, fazendo jus aos rostos que atrás dela nos recebem. Ficarei num apartamento pequeno, com uma varanda de pequeno-almoço e com vista para o mar. Assinaturas feitas, chaves prontas, direito a um cocktail na piscina, que não experimentara, nenhum dos dois, mapa em riste.

Pergunto sempre

Ora, vamos cá ver o interessante da ilha. Pergunto sempre, sempre o que recomendam. Mesmo que tenha na ideia ver algo em especial, o que os locais conhecem é sempre surpreendente. E, por regra, nestas viagens sozinha não faço muitos planos. Há muitas estradas possíveis para cada um dos meus dias. E caminho-os muito em resultado de uma boa conversa de alguém no porto, no bar, no restaurante, na paragem de autocarro. Na Grécia, há sempre gente a falar inglês. Quanto mais interior o local, menor essa possibilidade. Arrisquem. Os gregos são muito castiços e empáticos e arranjam sempre forma de ajudar.
Aqui não foi diferente.

− Hum, Katerina, não tens ar de quem vem à procura de festas até altas horas.
Eu sorri, apenas. Gosto que me analisem sem interrupções. O que daí virá?…
− Mas acho que irias gostar de ver como se vive em festa na ilha. É quase como ir ao Carnaval.
Olha, eu não disse?! E eu que adoro o Carnaval. Vamos lá! O meu sorriso continua lá.
− A ilha é muito pequena. Se queres alugar carro por um dia, podes muito bem usar os autocarros para ir aos pontos mais bonitos. Ainda que mesmo pequena não tenhas a possibilidade de a ver toda.
− Não é esse o meu propósito.
− Deves começar por visitar o que fica mais longe. Concordo, que bela premissa.

Praia de Koumbara, Ios

Nessa tarde, não segui o seu conselho, por não ter já o dia todo. Mas contava segui-lo no dia seguinte. Fui, portanto, à praia de Koumbara. Apanhei o autocarro mesmo em frente do hotel, direto, porque Koumbara fica a uns 20 minutos dali. Há muitos autocarros a sair do porto e que depois seguem na estrada principal, frente ao hotel. Cada viagem fica entre 2 e 3 euros. Há muitos locais para alugar mota, motox4, carro, quer no porto quer em Chora. Mota é sempre uma boa opção para absorver a paisagem e a mais em conta. Sobretudo para quem viaja a solo. Motox4 nas ilhas gregas é muito, muito comum, mas não é barato. Por média, os preços andam muito perto dos 40 euros de carro por dia.

Seafood Koumbara restaurant

Estava com um certo receio de encontrar carnaval em todo o lado. Eu adoro carnaval, mas uma vez ao ano, duas, três, tudo certo. Mas vários em três dias… Cheguei ao paraíso de autocarro. Para chegar à praia é preciso descer. O restaurante da praia tinha-me sido recomendado como Seafood Koumbara restaurant e fui almoçar antes de praiar, já em cima da praia. Camarão com queijo feta no forno, servido em tacho de barro. É preciso dizer mais? Os donos do restaurante têm um barco para o pescado fresco do restaurante. O restaurante, todo ele em tons e ambiente grego, ainda que não uma típica taberna grega. Para mim, o melhor conceito de restaurante na Grécia.

Praia de Koumbara

Não estava praticamente ninguém. Ali estive das 15h30 às 20h00 e houve sempre muitas espreguiçadeiras por ocupar. Eu sou daquelas que estende a toalha na praia, haja areia ou pedra. Na Grécia, o sol é MUITO forte. A ponto de ser difícil andar sem chapéu de muito cedo até que ele se comece a esconder. Aluguei uma aqui com direito a chapéu de coco. O único que alugaria porque não faz mesmo parte da minha ida à praia. Mas o sossego era tanto que dei um regalo ao corpo. Ainda assim, a cada 15-20 minutos o mar te espera. Calmo, meigo, limpo e sempre de charmoso olho azul.

Ups…

Aqui também há discotecas de piscina em cima da areia, mas não funcionam cedo.
Sentada em vista, pensei que poderia caminhar até aquela ilhota, que estava ligada a mim por um pequeno istmo. Toda ela era uma enorme e luxuosa vivenda, com um moinho de vento, muitas palmeiras, uma igreja ortodoxa. Perguntei ao empregado da concessão da praia se dava para ir explorar.
− Não, não. É um condomínio privado. Não se pode entrar…
Bem, é uma ilhota mas não tão pequena para condomínio privado. Ups…
Com o tempo, veio o ar um pouco mais fresco, que aqui é sempre muito quente. Mesmo o vento é quente. E há-o frequentemente. Com o tempo também o sol rodou, baixou e caiu para novo ciclo no dia que viria. E é uma força este ciclo! E que força. Do sol e dos tons que usa para colorir céu, terra e mar.

Praia de Koumbara, Ios
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