Praia de Tsigrado

Milos | Uma pequena ilha para tão grandes encantos

Tenho o dia inteiro para me fazer viajar pela ilha grega acompanhada do meu Chevrolet Matias. Ontem, o Manolis, o anfitrião do meu alojamento, Faros Apartments, rodou o mapa da ilha em papel numa série de indicações preciosas.

O norte é mais turístico; o sul, muito deserto mas lindo, lindo! Vai lá, sem pressa. Depois, na volta, vai subindo e pára em Tria Pegadia. Bonito, hein?

Manolis

Hoje, cedo, não me dirijo ao meu carro sem antes dar um bom dia ao Manolis. Sigo para a zona de expansão lateral da casa aonde fica o escritório. Lá está, fumando o seu cigarro sem tempo.

– Então, o que vais hoje fazer, Katerina?

– Vou para sul, para Provatas. É das últimas praias a que se tem bom acesso via rodas. Depois, para os lados do oeste, só o vento nas velas nos faz lá chegar.
– Disseram-me, no rent-a-car, que não podia circular nas linhas verdes, apenas nas brancas, porque as primeiras são de terra batida. Só com jipe ou motox4.

– Katerina, não te preocupes. Anda por onde quiseres. Se tiveres algum problema com o carro, liga-me. Não ligues para eles. Tens o meu número, não tens? Vai e explora!

Irei. Vão. Com cuidados redobrados, mas façam-no. A magia está aí. Vão ouvir as pessoas do rent-a-car a desaconselhar totalmente, mas muitos locais a aconselhar totalmente. Não me cansarei nunca de dizer que não há melhor informação, melhor saber da terra do que a que está nas mãos daqueles que a lavram, daqueles que lhe ouvem o bater do coração quatro estações corridas.

– Olha, ao início da tarde, em princípio, vou com um amigo fotógrafo, que tem um barco, para a zona norte. É muito bonito ver a costa a partir do mar. Ainda não é certo. Espero um telefonema dele. Queres ir connosco?

Nunca recuso quando as portas dos locais se abrem para mim. Vamos lá! Não fomos. Não recebi o telefonema que me faria voltar para Adamantas e recalcular a minha rota para aquele dia de si já tão incerta. Palmilhar a incerteza na certeza de que o que vem será bonito e surpreendente. Ainda antes de me fazer à estrada, o Manolis perguntou-me se eu já tinha pensado no que me havia proposto. Fazer uma viagem de catamaran de um dia inteiro por toda a zona oeste, aquela aonde chegamos pelo vento a dar nas velas. E esta história a farei noutro post. De tão especial e inusitada que é, merece protagonismo.

Mantimentos, muita água e o mapa de papel. E o meu amigo-com-rodas destes dias. Sigo para sul, para um lado da ilha de terra batida, de cor de tijolo, de ravinas raiadas de tijolo e pastel, a dar encosta e abrigo ao azul-turquesa, que nesta ilha tem tonalidades que queimam o olhar. Pelo caminho que vou fazendo não encontro praticamente ninguém. É 1 de agosto. O desenfreamento de Santorini está longe. Estou grata.

Provatas, a praia dos piratas

São 10:50. Na praia de Provatas, quase ninguém. No caminho, ninguém. A praia fica numa pequena baía de areia de cor que para nós portugueses pareceria suja. Mas não é.

São misturas de areias vulcânicas. As encostas são baixas, áridas, de vegetação verde a rasar o chão.

Há sempre por cá pequenos veleiros a piratear a beleza dos recantos que só a alguns se revela. Aos piratas que têm veleiros e aos que têm barcos de aventura no coração.

Faço o meu banquete do segundo pequeno-almoço e sigo.

Praia de Provatas

Firiplaka, a praia da cabana

Deixando Provatas pelas costas, subo e sigo o primeiro corte à direita. Mudança de direção. Mudança de piso. Deixei o cimento. Cheguei a Firiplaka por caminho de terra cor de tijolo. E neste caminho no meio do nada, cujo nada tem pequenos montes que me fazem lembrar territórios de antigas minas, pelo tom das suas paredes, pelo contorno do seu corpo, vejo o mar que por flashadas se mostra sempre que o monte dá tréguas.

Praia de Firiplaka

Deixo o meu fiel amigo cá em cima e desço para o que parece ser um pequeno porto  abandonado. Contorno-o até chegar à praia, aonde se espraiam poucas pessoas. Há uma barraca de madeira, que é um pequeno restaurante, uma verdadeira taberna grega, para onde todos os dias cedo se carrega no percurso junto ao mar produtos muito frescos. Vi fazer algumas destas viagens no pouco tempo que ali estive.

Está um calor que me obriga a saltar para o mar. Não fosse necessária apenas a cor desta água em temperatura aconchegante numa ondulação que não existe.

Praia de Firiplaka

Pouco depois de fazer muitos círculos dentro de água, olhando-me de todos os ângulos e sentindo o meu reflexo naquela paisagem envolvente, sigo caminho. Mesmo molhada. Só tenho o dia de hoje para descobrir alguns recantos. Vou com uma pressa relativa. Nunca tenho medo de não ver tudo, muito menos de não ver o que os outros viram. Há verbos que me acompanham sempre, ir e voltar. Mas há um medo que não perco, o de estar mas não estar. Por esta razão, nunca levo para viagem muitas coisas planeadas. Levo-me. E atrelada a mim uma vontade enorme de seguir o ritmo dos locais e de me deixar levar. Até onde me levará hoje o dia?

Praia de Firiplaka

Tsigrado, a praia acessível por escada

Vizinha de arribas de Firiplakla, basta um pequeno desvio e lá estou, na praia de Tsigrado. Aqui, o caminho de terra batida escancara a porta para a longidão de um azul-turquesa raiado. Denuncia grandes arribas, que só a pé percebemos que são altas e que para aceder à praia é preciso descer uma escada forjada a madeira. Antes de chegar à escada, há ainda que usar o físico para descer as arribas de areias soltas, de poeira. Lá em baixo é lindo visto daqui de cima.

Praia de Tsigrado

A praia é muito pequena e é razão de fila escada abaixo, escada acima. Não porque a praia seja pequena ou porque alguns ali acorrem mas porque a escada, essa é só uma. Desci até ao patamar da escada, mas não a fiz. Ao invés de parar na fila, subi a contemplar aquela longidão. E aqui tive uma visão bem caricata. O meu carro tinha exatamente os dois tons daquele mar de azul-turquesa. Eu nem sequer havia percebido que o meu carro tinha dois tons diferentes! Fiquei a olhar, ora o carro, ora o mar. É mesmo verdade! Ilha grega a duas cores turquesa.

Agia Kyriaki, a praia de granizo branco

Praia deserta! Aqui há uma taberna grega, Thalassopetra Tavern, com mariscos e peixe muito frescos, e um total de pessoas que cabem em duas mãos. Aqui, a saída do mar desenha uma rampa perfeita, de modo que nos podemos deitar de barriga para baixo e cruzar os braços dando colo à nossa cabeça. E olhar o silêncio, sempre fresco. As pedrinhas brancas dão um tom ora rosado ora turquesa em arco-íris. Sabia e já havia confirmado ontem que o norte é mais frequentado do que o sul, mas este sul…
Agia Kyriaki
Aqui se chega ora em caminho de cimento, ora de terra batida. O retorno, esse é uma água cristalina, cujo único e pouco movimento é humano. A praia tem dois lados. Indo pelo caminho de terra batida, é possível chegar mesmo à praia de carro.
É possível que encontrem ovelhas até lá chegar!! E, como sempre, elas têm prioridade. Nesta praia há árvores que servem de chapéu a alguns. E acredito que não raras as vezes aqui façam uma visita as ovelhas. Foi o chão de mar que mais me impressionou nesta viagem. E o que mais me ofuscou. Pela sua beleza e pelo contacto que pude ter com o mar e o chão. Pela luz que irradia e que cega. O forte sol a bater no claro mar. É muito difícil ir para a água sem óculos de sol ou sem chapéu. Escolham, não ir não é possível.
Agia Kyriaki

Paleochori, a praia mais cheia

Sigo para norte a caminho de Paleochori, para onde tenho de cortar à direita para estrada cimentada. Depois de ter feito um roteiro de sossego e beleza, chego a Paleochori e fica um sentimento de pouco, muito pouco. Se há que escolher, esta não valerá a pena fazer parte do roteiro. Está cheia e não é, por certo, sítio abençoado em beleza. O mar, esse quente e raso, claro!

Deixo a praia e no pensamento levo a antiga mina de enxofre de Paleorema, também conhecida como Thiorichia Sulphur Mines. Sei que é muito difícil de lá chegar mas também sei que na mesma medida vale a pena. Encontro um cruzamento perfeito e corto à direita. Ainda faço um tempo de carro mas a estrada acabou e o caminho de cor de tijolo logo ali me parece impossível de fazer com o meu carro. Não está ao nível dos outros caminhos de terra batida que fizera até aqui. Volto para trás com pena.

Paleorema, a praia das minas de enxofre

Praia numa antiga mina de enxofre, de arribas de castanho e cor de vinho, para contrastar com o turquesa do mar. As minas estão abandonadas desde a década de 1970. Ainda aqui podem encontrar material da mina, como vagões, peças de ferrugem. Segundo me contaram, é das mais escondidas e de difícil acesso, mas bem assim das mais bonitas e genuínas.

O acesso é quase impossível de carro normal. Não digo impossível. Talvez haja quem o consiga fazer. Também depende do carro normal. Mas jipe é o melhor. Achei o caminho muito turbulento para o meu Matias. Recomendo vivamente a ir a esta praia e, por isso, a alugar uma viatura apropriada! Se assim for, podem fazer caminhos, todos. Eu fiz alguns. Podem, inclusivamente, ir do caminho que vem de Paleorema e seguir para Tria Pigadia por outro caminho, aonde também não fui por ter decidido ir para norte-oeste. 

É na beleza da incerteza que me concentro e rumo para norte e oeste. Vou para Klima.

Klima, cores para que te quero

Klima

A descer a estrada que iria desembocar lá em baixo na pequena e castiça vila de pescadores, debaixo de um calor tórrido das 15:50 desta quarta-feira, encontro um casal que a pé desce. Só pode ir para Klima, que daqui é destino certo. Abrando. Afinal, tenho quatro lugares no meu carro. “Vão para Klima, certo?” “Sim.” “Entrem. Venham comigo.” Agradeceram imenso. E muito o ar condicionado. Pergunto-lhes de onde são. Não me lembro do nome de nenhum deles. Ele respondeu que vinham de Londres, mas ele era grego. De uma terra do centro do continente grego. Ela, inglesa. Conheceram-se em Londres. Era a vez de ele a trazer ao seu país. Na vila, não estava praticamente ninguém. Despedimo-nos ali ainda que nos tivéssemos encaminhado para o mesmo lado. A partir daqui, cada parte segue sua viagem. Foi a primeira vez que dei boleia estando sozinha, mas julgo que quase nem de boleia se pode tratar. Afinal, nem sei se chegou a uns dez minutos. É muito bom quando nos dispomos a conhecer o outro e suas histórias. A deles foi muito curta mas de amor.

KlimaKlima, à semelhança de Firopotamos e Mandrakia, é uma vila de pescadores, cujas portas de casa estão praticamente ao nível do mar, que aqui sobe muito pouco. Cada porta é do tamanho de uma garagem. Julgo que para que coubessem o barco e os apetrechos da pesca. Sempre um primeiro andar com as divisões da casa. Hoje, algumas destas casas são de férias mas mantêm a sua traça. Cada porta sua cor. Julgo que aqui, ao invés de ser atribuído um número a cada porta, é atribuída uma cor. Muito por esta característica, Milos é conhecida como a ilha das cores. E que cores! Além dos meus amigos, encontro uma ou outra família com crianças que ali estão de férias. O mar, esse é muito mais frio. E num dos lados da vila há uma espécie de piscinas oceânicas desenhadas pela configuração do pequeno porto. Hoje, mais porto amador. Os barcos salpicam o areal e a pequena marginal, e são tão poucos. É tudo em pequena escala e tão colorido que parece um espaço infantil, um espaço imaginado.

Catacumbas

Catacumbas

Subo em direção a Plaka, mas faço um desvio para as Catacumbas. Há indicações mas implica, claro, andar pelo meio de aldeias bem pequenas. Não tinha informação alguma do que era este sítio. Apenas o que o nome sugere. Parei e desci até à entrada. E entrei. Já estive em vários túmulos, mas não contava com um tão grande e tão caracterizado, ainda. Lembro-me de sentir uma fresquidão que me despertou a energia. Quando entrei, tudo era breu. A força da luz exterior roubara-me a completa prestação ocular. Mas, em poucos minutos, ajudada por alguns pontos de luz interior e estrategicamente colocados para não destruir o que há muito, muito fora erguido, pasmei a olhar para cada túmulo tão bem urdido, ainda. Dezenas. Em tamanhos diferentes, em diferentes formas, em zonas diferentes, por hierarquia, alguns, poucos, ainda com adornos que resistiram aos seguidos furtos. Diferente. No seu interior e no meu.

Não é certa a sua data de origem, mas pensa-se que no limite foram erguidas no século V da era passada. Sabe-se que terão sido usadas pelos cristãos como cemitério; mais tarde, como local de reza e de refúgio aquando das perseguições pelos romanos aos cristãos. Estima-se que aqui jazam cerca de duas mil pessoas nos quase trezentos arcossólios (túmulos escavados nas paredes de rocha, ligeiramente acima da terra e em arco), espalhadas pelas três secções. A visita é feita apenas a uma delas.

Este espaço é, por isso, considerado o maior edifício de reza de toda a Grécia.

As visitas têm sempre guia e não podemos entrar quando queremos. Há que aguardar a saída da toca do grupo anterior. O bilhete custa 4 euros. 

«Katakomves», assim devemos soletrar em grego.

Plaka, para uma tão grande descida, uma subida enorme

Plaka

Coincidentemente, estacionei perto do início do percurso que me levaria à parte mais alta da ilha, aonde, como já sabes, há uma igreja ortodoxa a olhar o mar, a dar abrigo a todos os que aqui aportam, ao seu porto e ao seu regaço. São horas mais frescas mas a subida é tocada a vento quente. Na subida, quase ninguém. Já na base do morro da igreja, ainda com muita subida, um casal de meia-idade já faz o caminho de volta. Ele, de bigode rasgado pelo sorriso, deseja-me boa sorte para a subida e eu agradeço. Vou no meu tempo que tempo tenho. Não sem parar espaçadas vezes. Já na pequenina vila colorida em redor do seu morro, encontro uma família de quatro irmãos ingleses. Consigo uma pequena conversa de cumplicidades com o mais pequeno, de talvez 9 anos. Enquanto um dos irmãos avança, confessa as suas agruras, de que os pais lhe haviam dito que não era muito a subir, mas era! Sorrio. O calor da Grécia dobra todos os custos mas a recompensa de fazer os seus caminhos dobra-nos a alma. Aqui, há casinhas fechadas, com azul a bordar as paredes brancas. Portões de madeira a abrir um pequeno jardim descendo para a parte baixa de Plaka, que fica a meio monte, entre o pico para onde irei subir e o mar aonde voltarei a entrar. O chão que aqui me traz é cinzento com pinceladas a branco delineando as juntas. Mas aqui está pintado de azul claro, do mesmo tom das madeiras, do mesmo tom de um ou outro vaso, de uma ou outra faceta do baixo muro, do azul que adorna o branco das pequenas casas.

Plaka

O caminho ainda se fará. E já tem sido comum que o aproximar do pico traga leveza num batimento cardíaco de mil bombadas. Fecho e abro repetidamente os olhos, tiro os óculos de sol. Respiro. Olho para baixo. Volto a olhar em frente, para o mar. Daquela igreja se abre uma espécie de névoa. E dela emergem pontos de azul-acinzentado. Conto cinco pinceladas de cor. Mar, céu e terra, um só. E eu estou duplamente amparada. Atrás de mim, lá em cima, uma igreja ortodoxa que me olha, a mim, e a todas as igrejas que por hierarquia geográfica abaixo dela se plantaram. Verbalizo aqui em palavras de papel o que naquele momento verbalizara em palavras de vento: “aqui não há tempo. Sou só eu”.

Plaka

Milos_uma_pequena_ilha_para_tao_grandes_encantos32

Chego ao topo. Aqui, apenas uma viajante a solo a descansar as pesadas botas da caminhada, recostada nas paredes brancas ortodoxas. Não encontro a família inglesa. A igreja, pequena, não está aberta. Mas abre uma imensidão com vista para o mar que me clarifica. A imensidão debrua-me no meu mundo mais pequeno, cravando nele o meu lugar e a minha pertença. A imensidão do abismo tira-me o peso dos pés e aí consigo-me. Sou pequena, pequena, na longidão das alegrias pontilhadas em pontos de fuga. E em perspetiva sou eu e o que virá. E o que virá levar-me-á numa caminhada que terminará hoje na praia que daqui dos altos se vê. Daqui dos altos é possível determinar o turquesa das suas águas. É lá o meu pôr do sol de hoje.

Plathiena

As subidas têm uma tal força!… E é nos momentos de paragem que ela se adensa. É nos momentos que nos voltamos, em que rodamos o corpo e o nosso olhar que nos revelamos mais e melhores. É no momento em que permitimos empatia entre os caminhantes que melhor nos revemos. Quando assim é, estou em verdade preparada para a caminhada.

Desço para a vila, aonde há comércio do muito e variado artesanato que decoram as paredes interiores e exteriores, restaurantes de esplanadas em solo de pinceladas brancas, ruas estreitas que desembocam numa vista para o mar, casas de primeiro andar brancas, de portadas de cor, que no lugar de campainha têm um sino, pormenores de dedicação e de encanto. Não raras as vezes senti, aqui e nas restantes vilas em que estive, que os gregos têm um brio imenso. Que de uma peça velha se constrói uma peça de afago e de vida. E que vida. Há floreiras que já levaram carros a trilhar o mundo. Há vasos que hoje sustentam terra para dar vida a plantas. Vasos que um dia guardaram vinho para amaciar o dia de alguém.

Plathiena, é bom vermos o pôr do sol quando estamos muito tristes

De Plaka a Plathiena são uns dez minutos andados de carro. Chego em cima das 19h. Já se sente uma claridade mais baixa, criando pontos pretos no mar que são gente. O ar e a água, bem quentes. O ambiente, tranquilo, silencioso. A praia é muito pequena. É o espaço que tem, fruto do abrigo de grandes arribas, uma de cada lado, que juntas formam uma pequena baía. Entre mar e terra, aproveito cada ciclo do pôr do sol. E por cá fiquei até que toda a sua réstia de luz me acompanhasse. Há barcos de piratas a passar, lá ao fundo. Como numa tela, surgem do lado direito com destino ao lado esquerdo. É uma tela.

Plathiena

Pollonia, vila de pescadores

Não tirei nenhuma fotografia. Estava tão profundamente apaixonada pelo percurso que havia feito que apenas queria o cheiro do mar; a fresquidão da noite; um jantar grego à boca do seu mar. Há um pequeno pontão ao lado do porto, o maior que até agora encontrei em Milos, que do lado do mar tem esplanadas. Aqui encontrei a maior concentração de gente na ilha, mas nada que me roubasse do meu estado. Sei que amanhã entregarei o carro cedo para outro dia ainda na ilha. 

No norte, há uma força da pesca que não se encontra no sul, a ponto de haver casas de pescadores ao rés da água que parecem ser a garagem de seu barco. Estou na ponta mais este da ilha, neste vértice do triângulo da metáfora de Manolis. Sigo para trás. No caminho, não consigo cortar para o outro vértice aonde fica o meu hotel. Sigo para o caminho que leva para oeste. E corto para a praia Sarakíniko. Muitas vezes, sinto grande vontade de ver um mesmo local noutra estação, noutra hora do dia, noutra direção, de outra perspetiva; noutro ano… Só tenho medo de estar e não estar.

(1 de agosto – dia 2 em Milos, Grécia)

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