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Santorini | Katerina no Hotel Villa Kasteli, em Perissa

Chego à Villa Kasteli já passa das oito da tarde do dia que vai e da noite que vem. Fica em Perissa, no sul da ilha de Santorini, na extensão de praias de areia preta. E nos recantos mais calmos da ilha. Escolhi sempre abrigos diferentes e aqui não foi exceção. Arrisquei um quarto partilhado para três e abri a inevitável possibilidade de conhecer histórias em gente. Mais tu, melhor eu. 

À minha espera, o cão da casa e a amorosa Vicky, ex-professora de Inglês. O seu rosto é feito de tranquilidade e revela-me no primeiro olhar uma mulher encantadora. A sua casa feita em hotel de família é um meio para ela ser feliz, senti-o logo. Trava conversa com toda a gente e a toda a hora potencia longas horas de troca de histórias entre hóspedes de todo o mundo. Não há espaço para a solidão à volta daquela mesa do pequeno-almoço abeirada por uma árvore-sem-nome. Fui sozinha mas nunca estive só.

Na receção improvisada a um recanto de uma sala-cave do Hotel Villa Kasteli, preparando eu o pagamento da minha estadia de quatro noites e ela, a Vicky, os recibos, para me dizer que se está a lembrar de uma música linda sobre uma Katerina:

“Omorfi mou, Katerina” (“Minha querida, Catarina”).

Logo a procura no YouTube. Enquanto a ouvimos, ela canta por cima, ela canta para mim. “É uma música dos anos 90”, diz-me, com uma alegria imensa, como se visse em mim aquela Katerina da música, alvo de um grande amor, à sua frente. Fui pesquisar. É de 1993 e cantou-a Antonis Kalogiannis.

Segue tratando da papelada e lembra-se de outra tragoudia (canção), outra, sobre outra Katerina. Não me recordo exatamente o que se cantava a esta última Katerina, mas sei que é a segunda canção que canto (e que tu podes ouvir clicando em cima da imagem – Pame Gia Ipno, Katerina, de Giannis Poulopoulos).

Agora que troco o que em pensamento ficou deste primeiro dia em Santorini por palavras, esta última Katerina é a de Giannis Poulopoulos, e é outra “omorfi mou” do eu poético. Dedilhada a mãos corridas. Vozes em luta por amor. Sons da Grécia.

Há lá melhor receção?…

Mapa da ilha. Check. Indicações preciosas do que ver, da subida à montanha de Perissa, do calçadão da praia imensa de Perissa, onde comer boa comida grega logo ali a dois passos. Check. Horário do pequeno-almoço. Check

Na manhã seguinte, viria a perceber que apenas existia não para enganar o estômago das fomes matinais mas para colocar os que por ali se juntavam à mesma hora em conversa. De onde és? De onde vens? Porque aqui estás? Porque viajas sozinha? A Vicky apresentava todos a todos. Lembro-me de que não era esforço algum recordar-se dos cinco, sete, dez nomes dos sempre novos inquilinos, agora mesmo chegados e já prontos a seguir viagem. Villa Kasteli, uma paragem do mundo inteiro. 

Perissa, vila a sul de Santorini

Duas idades

Das paredes de uma casa de família se fez este hotel. De quartos privativos a quartos partilhados, arrisquei num partilhado. O único desta viagem pela Grécia. Pelas três camas, passaram 3 mulheres nas minhas quatro noites. E das três, duas ficaram por razões singularmente diferentes. A Rosa, argentina de 60 anos, que viaja pelo mundo e na boca apenas a sua língua materna, espanhol. A Selma, de 28 anos, engenheira informática, de Casa Blanca, Marrocos. Ambas a viajar sozinhas. 

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